Comité de Mães anuncia libertação de 87 detidos na Venezuela
- 01/01/2026
Em comunicado à imprensa, o coletivo indicou que as libertações ocorreram durante a madrugada de hoje na prisão de Tocorón, no estado de Aragua (norte), um centro onde se encontra grande parte dos detidos durante as manifestações.
"Esta conquista, que nos enche de alegria, é, no entanto, insuficiente. Trata-se de uma liberdade limitada, porque continuam (...) com medidas cautelares muitos outros nossos familiares, [os quais estão] arbitrariamente privados de liberdade", afirma o comité no texto.
As novas libertações somam-se às já ocorridas a 25 de dezembro, quando o comité reportou 71 e o Governo disse que eram 99.
Citado pela agência EFE, o comité de familiares disse que o facto de as libertações terem sido retomadas "resulta da luta de centenas de mães e familiares que se mobilizaram, durante mais de um ano, para exigir justiça e que encontraram no seu caminho a solidariedade de pessoas e organizações populares".
"A injustiça continua a afetar centenas de famílias em todo o país. Por isso, no Comité de Mães em Defesa da Verdade insistimos que o país precisa de uma amnistia geral que conceda liberdade total a todas as pessoas detidas arbitrariamente por motivos políticos", reiterou o grupo.
Em outubro de 2025, as mães dos detidos indicaram que o processo de libertação continuava suspenso desde março desse ano, pelo que solicitaram, então, a revisão dos casos dos seus filhos.
Após as eleições presidenciais de 28 de julho de 2024 eclodiu uma crise na Venezuela, devido à controversa reeleição de Maduro, proclamada pelo órgão eleitoral - controlado por funcionários ligados ao chavismo - e à denúncia de "fraude" por parte da oposição, que reivindica a vitória de Edmundo González Urrutia.
Neste contexto, mais de 2.400 pessoas foram detidas - a maioria delas libertadas - e acusadas de "terrorismo", segundo o Ministério Público, embora várias Organizações Não Governamentais e partidos da oposição as defendam como inocentes e afirmem que são presos políticos.
O executivo de Maduro garante que o país está "livre de presos políticos" e que os apontados como tal estão presos por "cometerem atos puníveis".
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