Dakar2026. Após Mundial, Alexandre Pinto quer vencer a maior corrida
- 01/01/2026
Aos 26 anos, o piloto natural de Pegões (Setúbal) vai para a segunda participação na principal maratona de todo-o-terreno com o estatuto reforçado após ter conquistado o título mundial em 2025, juntamente com o navegador Bernardo Oliveira.
"O primeiro objetivo é terminar a prova. Mas a expectativa é conseguir o lugar mais alto do pódio. Tendo em conta os resultados, a preparação que fizemos, a mudança de carro, temos todas as condições para lutar pela corrida. Vamos ver dia a dia o que vai acontecendo", disse o piloto da Old Friends Rally Team à agência Lusa.
Alexandre Pinto participa, este ano, aos comandos de um Polaris (no ano passado correu com um buggie Can-Am, mais antigo). Mas, apesar do título mundial e da nova máquina, não se vê como o favorito à vitória na categoria SSV, para veículos ligeiros.
"Favorito? Penso que não. Mas serei considerado um piloto a ter em conta. O meu feito é grande mas a carreira ainda é curta", frisou.
O piloto de 26 anos admite que possa estar "entre os favoritos" mas sem ter o principal foco da atenção e da pressão.
Ainda assim, há um pormenor que ajuda a fazer a diferença na confiança com que enfrentará as dificuldades da prova saudita.
"Irei ostentar o número 400 [primeiro da categoria SSV], o que será sempre um bom sinal. Mas teremos pilotos de renome, com vários 'Dakares' ganhos", sublinhou.
Outro aspeto importante para a construção de uma confiança inabalável foi a conquista do título mundial, o primeiro de um português nas quatro rodas.
"[O título mundial] mudou, talvez, a forma de acreditar, cada vez mais, que é possível. E dá-me mais motivação para trabalhar cada vez mais para o desporto e a ambição de chegar mais longe. Nunca esquecendo que tenho muito orgulho e é um feito que fica na história. É um título de afirmação e de perceber que o trabalho traz resultados", sublinhou.
Mas nem tudo foram rosas pois o título mundial trouxe consigo, também, uma mágoa.
"Mencionando o Estado Português, não houve o reconhecimento devido, nem perto disso. Nem sequer me disseram nada. As televisões só se interessam por futebol. Agradeço aos canais que me convidaram mas temos de ser nós a lutar por ser mais reconhecidos. Senti um bocadinho de falta de reconhecimento, sobretudo por parte de entidades que deviam dar a conhecer ao povo o feito que foi", lamentou.
Entre os principais adversários que terá pela frente, Alexandre Pinto destaca a armada lusa, com pilotos como Gonçalo Guerreiro, João Dias, João Monteiro, Hélder Rodrigues, Bruno Martins e Rui Silva, para além dos 'oficiais' "Chaleco" Lopez Contardo (Can-Am) e Brock Heger (Polaris).
Uma situação impensável há poucos anos, pois a competição nunca fora uma ambição.
Alexandre Pinto admite ter sido sempre um apaixonado pelo todo-o-terreno mas limitava-se a participações em passeios de fim de semana com os amigos.
"Comecei a carreira em 2020, no campeonato nacional mas da Federação de Motociclismo, com um SSV. Nunca tinha feito nada de desporto motorizado. Comecei por mera curiosidade por fazer uma corrida. Os resultados foram bons e decidi continuar a fazer mais algumas corridas. Consegui três pódios seguidos em três corridas que fiz, contra uma armada muito forte", recorda.
Em 2024 juntou-se à Old Friends Rally Team, de Guimarães, que lhe apresentou um projeto internacional.
"Fizemos o campeonato nacional e da Europa, no qual fomos vice-campeões. Em 2025 abordámos o Dakar e o Mundial, para perceber onde estaríamos e as coisas correram pelo melhor", conta.
Agora, é tempo de tentar repetir a façanha.
O rali Dakar de todo-o-terreno decorre de 03 a 17 de janeiro, na Arábia Saudita.



