França e Alemanha alarmadas com manobras militares chinesas em Taiwan
- 31/12/2025
"A paz e a estabilidade" na região são "de importância estratégica para a segurança e a prosperidade regional e internacional", declarou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, apelando à "moderação e ao diálogo" entre Pequim e Taipé.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de França afirmou que tem acompanhado com preocupação as manobras militares chinesas em torno de Taiwan, apelando a todas as partes para que se abstenham de qualquer escalada.
E comunicado hoje divulgado, a diplomacia francesa reitera o seu compromisso com a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan, essenciais para a segurança e a prosperidade globais, e sublinha a sua oposição a qualquer alteração unilateral do 'status quo' sobre Taiwan, particularmente através da força ou da coerção.
Antes, a União Europeia pediu à China para evitar as tensões com Taiwan e condenou quaisquer "ações unilaterais" que coloquem em causa o estatuto da ilha.
Os "recentes exercícios militares da China aumentam a tensões no estreito [entre a China e Taiwan] e colocam em perigo a paz e a estabilidade internacionais", indicou, em comunicado, o Serviço de Ação Externa da UE, tutelado pela alta representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas.
"Reiteramos o nosso apelo para que se exerça restrição e se evitem quaisquer ações que possam aumentar as tensões, que devem ser resolvidas com diálogo", de acordo com a mesma nota.
A UE acrescentou ter "interesse direto" na preservação do estatuto de Taiwan: "Somos contra quaisquer ações unilaterais que o alterem, especialmente através da força e da coerção."
Os exercícios militares chineses 'Missão Justiça-2025' foram lançados na segunda-feira como advertência contra o que Pequim considera serem "interferências externas" na questão de Taiwan.
Durante o primeiro dia das manobras, o Exército de Libertação Popular simulou ataques a alvos marítimos e terrestres, bloqueio de portos e áreas-chave, operações antissubmarinos e exercícios para alcançar a "superioridade aérea regional", envolvendo bombardeiros, caças, contratorpedeiros, fragatas e veículos aéreos não tripulados (drones).
O líder de Taiwan, William Lai, assegurou que as forças armadas da ilha vão agir "com responsabilidade" face aos exercícios militares lançados pela China e pediu serenidade à população.
"Agiremos com responsabilidade, sem escalar o conflito nem provocar confrontos", declarou Lai nas redes sociais.
"Neste momento, a união entre civis e militares e a resistência à desinformação são a força mais poderosa para proteger o nosso lar democrático", acrescentou.
Lai destacou ainda que a manutenção da paz no estreito de Taiwan e na região do Indo-Pacífico é uma "aspiração partilhada pela comunidade internacional" e um "compromisso firme de Taiwan como membro responsável da região".
"O Partido Comunista Chinês tem intensificado repetidamente a pressão militar, comportamento que está longe do que se espera de uma grande potência responsável", afirmou.
Taiwan, ou oficialmente República da China, é governado autonomamente desde 1949, possui Forças Armadas próprias e um sistema político, económico e social distinto da República Popular da China, destacando-se como uma das democracias mais desenvolvidas da Ásia.
Pequim considera, no entanto, Taiwan uma "parte inalienável" do seu território e tem vindo a intensificar, nos últimos anos, a campanha de pressão sobre a ilha com vista à "reunificação nacional" - objetivo central do plano de longo prazo do Presidente chinês, Xi Jinping, para alcançar "o rejuvenescimento" da nação chinesa.
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