Kyiv pediu, mas Kremlin diz que não vai dar provas de ataque a Putin
- 30/12/2025
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse, esta terça-feira, que a Rússia não vai fornecer provas de que Kyiv tentou atacar a residência presidencial na região de Novgorod - mesmo estando em causa as negociações do acordo de paz, agora ameaçadas de endurecimento por parte da cúpula governativa russa.
Peskov referiu esta terça-feira que todos os drones tinham sido abatidos e que, por norma, são os militares que estão a cargo desta investigação.
"Não creio que deva haver qualquer prova de que um ataque massivo de drones tenha sido realizado e que, graças ao trabalho bem coordenado do sistema de defesa aérea, tenha sido abatido", referiu Peskov aos jornalistas, durante uma teleconferência citada pela emissora France 24.
As declarações surgem depois de Kyiv ter hoje voltado a insistir que não havia provas deste alegado ataque.
Note-se que já na segunda-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tinha negado que este ataque tinha sido levado a a cabo pela Ucrânia. Zelensky classificou o anúncio deste ataque como uma "típica mentira" vinda de Moscovo e foram pedidas provas.
O ataque foi anunciado na tarde de segunda-feira pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, que disse desde logo que as negociações para a paz iriam ser "revistas".
Hoje, Kyiv voltou a insistir em que Moscovo desse provas deste ataque, que, segundo Lavrov, foi levado a cabo com a ajuda de 91 drones. "Já passou quase um dia e Rússia ainda não apresentou nenhuma prova plausível para suas acusações do alegado 'ataque da Ucrânia à residência de Putin'. E não apresentará. Porque não há nenhuma. Tal ataque não aconteceu", escreveu o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiga, numa publicação na rede social X (antigo Twitter).
Na mesma publicação, o responsável pela pasta escreve, entre outras considerações, que a "tática da Rússia" se baseia em acusações falsas e apela a que os países "não respondam a queixas não comprovadas", dado que a situação "prejudica o processo de paz construtivo que tem avançado ultimamente."
Almost a day passed and Russia still hasn’t provided any plausible evidence to its accusations of Ukraine’s alleged “attack on Putin’s residence.” And they won’t. Because there’s none. No such attack happened.
— Andrii Sybiha 🇺🇦 (@andrii_sybiha) December 30, 2025
We were disappointed and concerned to see the statements by Emirati,…
Note-se que o alegado ataque terá acontecido na noite de domingo para segunda-feira, sendo desconhecido se Putin se encontrava no local no momento do ataque (Peskov recusou responder a essa pergunta na segunda-feira). Já quando anunciou este suposto ataque, Lavrov disse que haveria "resposta às ações imprudentes" e que a posição de Moscovo as negociações de paz "seriam revistas". Mais tarde, Putin disse que este ataque iria dificultar as negociações.
Recorde-se que Zelensky esteve reunido com Trump no domingo, numa reunião na Florida. Em cima da mesa esteve a discussão sobre o plano de paz para a Ucrânia. Em conferência de imprensa Trump acabou por dizer que se estava a chegar "muito perto" de um plano a ser aceite por todos os lados envolvidos e Zelensky referiu que "as garantias de segurança são um ponto fundamental para alcançar uma paz duradoura".





