Líder histórico dos curdos pede à Turquia para ajudar acordo com Damasco
- 30/12/2025
Ocalan defendeu que a Turquia deve ter um papel "facilitador, construtivo e orientado para o diálogo" neste processo, de acordo com uma mensagem divulgada pelo partido pró-curdo DEM, na véspera do prazo final para a implementação de um acordo sobre a integração das forças curdas nas instituições sírias.
"Isto é crucial tanto para a paz regional como para o fortalecimento da própria paz interna", afirmou.
"A exigência fundamental delineada no acordo assinado a 10 de março entre as Forças Democráticas Sírias (FDS) e o Governo de Damasco é um modelo político democrático que permite ao povo governar-se a si próprio", referiu Ocalan, acrescentando que "esta abordagem inclui uma base para a integração democrática que pode ser negociada com as autoridades centrais".
Para o líder histórico do PKK, "a implementação do acordo de 10 de março vai facilitar e acelerar este processo".
Assinado entre os curdos e as novas autoridades sírias, o acordo estipula a integração das instituições curdas no Governo central e das forças militares no exército sírio, mas as negociações estão paradas.
Na quinta-feira, o líder curdo sírio, Mazloum Abdi, afirmou estar a fazer o possível para evitar o fracasso do acordo com Damasco e reiterou as exigências das FDS para a descentralização, rejeitadas pelo Governo central liderado pelo Ahmad al-Sharaa, que derrubou o ex-presidente Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, próximo das novas autoridades sírias, instou os curdos a implementarem o acordo e a não serem um "obstáculo à estabilidade do país".
Ancara, que considera a presença de combatentes curdos na sua fronteira como uma ameaça e já realizou três operações militares na Síria entre 2016 e 2019, alertou recentemente os curdos de que os parceiros do acordo estavam a "perder a paciência".
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