Macau regista em 2025 menor número de nascimentos em quase meio século
- 01/01/2026
De acordo com dados preliminares, o território registou 2.871 recém-nascidos no ano passado, disse o diretor substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou, citado pelo canal em chinês da emissora pública TDM Macau.
Este número representa uma queda de 20,4% em comparação com 2024, ano em que nasceram em Macau 3.607 bebés, e fica muito aquém das expectativas das autoridades locais.
No final de janeiro de 2025, o subdiretor dos Serviços de Saúde de Macau, Kuok Cheong U, tinha previsto menos de 3.500 nascimentos durante esse ano, número que já seria o mais baixo desde 2004.
Mas o número revelado hoje por Tai Wa Hou faz com que 2025 tenha sido o ano menos fértil desde 1978, quando a cidade, então sob administração portuguesa, registou 2.407 recém-nascidos.
No entanto, enquanto em 1978 Macau tinha menos de 249 mil habitantes, no final de setembro de 2024 a região semiautónoma chinesa já tinha uma população de quase 687 mil.
O número de nascimentos caiu, assim, pelo sexto ano consecutivo e está cada vez mais longe do máximo histórico de 7.913 fixado em 1988, que foi um Ano Lunar do Dragão.
Considerado um símbolo da realeza, fortuna e poder e única figura mítica entre os 12 signos do milenar zodíaco chinês, o Dragão tem um conjunto de características que tradicionalmente leva os casais a planear ter filhos durante esse período.
Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais.
Este valor é ainda mais baixo do que a estimativa feita num relatório divulgado em julho pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA, na sigla em inglês): 0,68 nascimentos por mulher.
Apesar de mais otimista, a estimativa da UNDESA já indicava que Macau teria tido em 2024 a mais baixa natalidade do mundo, a uma grande distância da segunda jurisdição na lista, Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher.
O novo chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, admitiu ser necessário "criar condições em termos de educação e emprego" para subir a baixa natalidade, que apontou como um dos maiores desafios da cidade a longo prazo.
No início de julho, o parlamento local aprovou uma revisão do orçamento para reforçar os apoios sociais, incluindo a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas (cerca de 5.750 euros), para as crianças até aos três anos.
Durante a campanha eleitoral, Sam Hou Fai prometeu ainda estudar a extensão da licença de maternidade, atualmente fixada em 70 dias, e a criação de um fundo de providência central obrigatório.
Na quarta-feira, o Fundo de Segurança Social (FSS) de Macau defendeu que "sejam estabelecidas condições para iniciar a implementação, de forma gradual e ordenada" de um regime obrigatório.
Um relatório, encomendado a uma instituição académica, concluiu que "as contribuições para o regime (...) não deverão causar demasiada pressão aos empregadores, e os trabalhadores podem obter uma melhor proteção na aposentação".
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