Marcelo está confiante de que Portugal terá "melhor futuro que passado"
- 01/01/2026
O Presidente da República desejou esta quinta-feira, na sua última mensagem de Ano Novo ao país, a um 2026 com "mais Justiça, mais liberdade, mais solidariedade", mas também com "mais saúde".
Numa curta mensagem, com cerca de cinco minutos, Marcelo Rebelo de Sousa realçou os 40 anos de adesão à União Europeia e os 30 anos de Comunidade de Língua Portuguesa, considerando o ano que agora começa "singular".
"Ano Novo, vida nova - como diz o povo. E neste início de 2026 é esse o voto de tantos por todo o mundo, desejando a paz duradoura na Ucrânia, Médio Oriente, também no Sudão e em tantos outros conflitos do globo", continuou o chefe de Estado português.
"Um ano com mais desenvolvimento, mais Justiça, mais liberdade, mais igualdade, mais solidariedade. O mesmo desejo vale para nós, vale para Portugal. Ano Novo, vida nova. Também com mais saúde, mais educação, mais habitação, ainda mais crescimento, ainda mais emprego e menor pobreza e desigualdade", desejou Marcelo Rebelo de Sousa.
"E sempre", continuou, com "mais tolerância, mais concordância, mais instinto - mais do que instinto, intuição - sentido de coesão nacional com ideias, soluções e pessoas novas", frisando que esta é a "natureza da democracia".
A três semanas de novas eleições, desta vez presidenciais (e para o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa), o Presidente notou que "o povo escolhe livremente o que quer e quem quer para o futuro, com a esperança de que seja diferente e melhor do que o passado".
"Ideias, soluções e pessoas - essa é também a minha esperança. E digo mais: essa é mais do que a minha esperança, a minha certeza", atirou o Presidente, mostrando-se convicto de que Portugal terá "melhor futuro do que passado".
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que a sua certeza está cimentada numa razão decisiva chamada "portugueses": "esses portugueses que há quase 900 anos, nascidos ou acolhidos cá dentro ou lá fora, fazem todos os dias Portugal".
Marcelo Rebelo de Sousa continuou o discurso um parágrafo inteiro do diálogo de um romance de Eça de Queirós, "A Ilustre Casa de Ramirez".
Nesse excerto, lê-se: "A franqueza, a doçura, a bondade, a imensa bondade, que notou o Sr. Padre Soeiro… Os fogachos e entusiasmos, que acabam logo em fumo, e juntamente muita persistência, muito aferro quando se fila à sua ideia… A generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios, e sentimentos de muita honra, uns escrúpulos, quase pueris… A imaginação que o leva sempre a exagerar até à mentira, e ao mesmo tempo um espírito prático, sempre atento à realidade útil. A viveza, a facilidade em compreender, em apanhar… A esperança constante nalgum milagre, no velho milagre de Ourique, que sanará todas as dificuldades… A vaidade, o gosto de se arrebicar, de luzir, e uma simplicidade tão grande, que dá na rua o braço a um mendigo… Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda, o encolhe, até que um dia se decide, e aparece um herói, que tudo arrasa… Até aquela antiguidade de raça, aqui pegada à sua velha Torre".
"Sabem vocês quem me lembra Gonçalo?", questionou o Presidente, referindo-se à personagem descrita no parágrafo acima. "A resposta é Portugal".
"Queridos compatriotas, com qualidades e coragem excecionais que de longe superam os defeitos, assim somos há quase 900 anos, assim seremos sempre", terminou.
[Notícia atualizada às 20h36]
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