Membro das forças de segurança morto durante manifestações no Oeste do Irão
- 01/01/2026
"Um membro da Bassidj da cidade de Kouhdasht, com 21 anos, foi morto esta noite por manifestantes, enquanto defendia a ordem pública", anunciou a televisão estatal, citando o vice-governador da província de Lorestan (oeste), Said Pourali.
Trata-se da primeira vítima oficialmente registada desde o princípio, no domingo, destes ajuntamentos inicialmente pacíficos, em Teerão, e que se alastraram desde então a outras cidades e universidades.
As forças do Bassidj são milícias de voluntários islâmicos, afiliadas aos Guardas da Revolução, o exército ideológico da República Islâmica.
"Durante os protestos em Kouhdasht, 13 polícias e membros do Bassidj ficaram feridos por pedradas", acrescentou Pourali.
Esta cidade, com cerca de 90.000 habitantes, está situada a 550 quilómetros da capital, onde no domingo começaram os protestos quando os comerciantes de diversos mercados e centros comerciais do centro e sul de Teerão fecharam as suas lojas e marcharam pelas ruas adjacentes em resposta às fortes oscilações do mercado cambial, à queda acentuada do valor do rial e à instabilidade económica.
As manifestações continuaram na segunda-feira e alastraram-se a outras cidades, como Malard (na província de Teerão), Karaj (norte), Kerman (sudeste), Zanyan e Hamadan (noroeste) e à ilha de Qeshm (sul).
Em alguns destes protestos, ouviram-se palavras de ordem contra a República Islâmica, como "Morte ao ditador", de acordo com vídeos publicados por ativistas nas redes sociais.
O Governo iraniano reconheceu já a legitimidade dos protestos contra as dificuldades económicas e defendeu o diálogo com os manifestantes, prometendo implementar reformas para preservar o poder de compra dos cidadãos.
O Irão enfrenta uma inflação anual superior a 42%, enquanto a inflação entre novembro e dezembro atingiu os 52% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Além disso, a moeda iraniana perdeu, este ano, 69% do valor face ao dólar.
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