"Não há nenhuma razão para a Justiça atropelar constantemente campanhas"
- 30/12/2025
João Almeida, do CDS-PP, e Miguel Prata Roque, do PS, analisaram na noite de segunda-feira, no programa Linhas Vermelhas, da SIC Notícias, a notícia que o Ministério Público (MP) está a investigar ajustes diretos feitos na Marinha, que envolvem o nome do candidato a Presidente da República Henrique Gouveia e Melo.
Para o centrista, que estava no programa em substituição de Cecília Meireles, este tipo de notícia aparece de forma recorrente em campanhas eleitorais, o que traz várias preocupações.
"Preocupa-me a separação dos poderes. Não gosto que a política e a Justiça andem misturadas. Não percebo porque é que há uma série tão grande de notícias sobre Justiça envolvendo candidatos em períodos eleitorais. Isso não é normal numa democracia equilibrada. A Justiça deve ter o seu tempo. A política tem o seu tempo. Não há nenhuma razão democrática para que a Justiça constantemente atropele as campanhas eleitorais e sem resultados", notou o deputado, que é também jurista.
Já o socialista Prata Roque não há dúvidas que a notícia partiu de alguém "próximo" da campanha de Luís Marques Mendes ou de André Ventura.
"Há muita parra e pouca uva relativamente a este tema. O almirante Gouveia e Melo não se dedicou a isto. Não foi ele que andou a contactar empresas, que andou a fazer cadernos de encargos, a verificar se as especificações técnicas estavam boas, se a proposta era ou não a mais adequada. Há uma divisão administrativa e financeira que fez isto. O comandante naval Gouveia e Melo, na altura, em 2017, tinha delegado funções nos chefes de serviço que fizeram vários contratos", salientou, explicando que "o Tribunal de Contas chegou à conclusão que Gouveia e Melo não participou neste processo de contratação, limitou-se a autorizar o pagamento porque era quem tinha essa competência".
Para Prata Roque esta notícia não pode então "ser desligada daquele debate que foi um debate em que todos tentaram afundar submarinos, dar tiros nos porta-aviões".
"Alguém próximo da campanha de Marques Mendes ou da campanha de André Ventura decidiu dar este novo tiro no porta-aviões de Gouveia e Melo porque, sejamos claros, se André Ventura chega à segunda volta, qualquer candidato ganha. Se não chega à segunda volta, Gouveia e Melo é o candidato fora do sistema que concentrará os votos que estão desiludidos com o sistema", disse, concluindo que este tipo de denúncias "é política feia".
Recorde-se que a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou, esta terça-feira, 30 de dezembro, que o candidato a Presidente da República Henrique Gouveia e Melo não é arguido no caso dos ajustes diretos da Marinha, que estão a ser investigados pelo Ministério Público (MP).
O processo, que está em fase de inquérito encontra-se já "em fase final de investigação no DIAP de Almada".




