Zelensky admite envio de tropas norte-americanas para a Ucrânia
- 30/12/2025
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, confirmou esta terça-feira que conversou com o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, sobre o envio de tropas dos Estados Unidos para o país.
"Isto pode ser confirmado, para ser honesto, pelo presidente dos Estados Unidos. Estas são tropas dos Estados Unidos e, portanto, os Estados Unidos tomam estas decisões. Certamente discutimos isto com o presidente Trump e com os representantes da coligação", disse em declarações aos jornalistas, citado pela agência de notícias ucraniana Ukrinform.
Zelensky revelou, ainda, que Trump ofereceu garantias de segurança à Ucrânia durante um período de 15 anos, mas sublinhou que pretende um período mais alargado, de até 50 anos.
"A garantia de segurança significa, na prática, que a Ucrânia ficaria protegida de novos ataques nos mesmos moldes dos integrantes da NATO — ou seja, no caso de uma nova invasão, EUA e Europa enviariam tropas para defender o território ucraniano", explicou.
Sublinhe-se que Zelensky e Trump reuniram-se, no passado domingo, na residência de férias do presidente norte-americano na Florida. Na altura, Trump disse que foram feitos "numerosos progressos" para "acabar com a guerra" entre a Ucrânia e a Rússia.
"Estamos cada vez mais perto, talvez até muito perto" de um acordo sobre o Donbass, acrescentou Donald Trump numa conferência de imprensa.
Um novo encontro nos Estados Unidos com o Presidente ucraniano, mas também com dirigentes europeus, está previsto para janeiro, declarou, por sua vez, Volodymyr Zelensky.
No encontro com o homólogo norte-americano, Zelensky procurava a aprovação de Donald Trump para uma nova versão do plano de paz para a Ucrânia, apresentado por Washington há quase um mês.
O presidente ucraniano apresentou esta semana a nova versão do documento, reformulada após duras negociações exigidas por Kyiv, que considerou a primeira versão muito próxima das exigências russas.
O novo documento abandona duas exigências fundamentais do Kremlin: a retirada das tropas ucranianas da região de Donetsk, que faz parte de Donbass, e um compromisso juridicamente vinculativo da Ucrânia de não aderir à NATO.
Trump afirmou que, apesar dos "numerosos progressos" alcançados na reunião, continuam "um ou dois assuntos muito espinhosos para tratar".
"Tratámos 95% das questões, embora não goste de falar de percentagens", referiu o presidente norte-americano aos jornalistas, após o encontro de duas horas com Zelensky.
Trump acrescentou que as conclusões das negociações sobre um acordo de paz entre a Ucrânia e a Rússia, em guerra há quase quatro anos depois de as tropas terem invadido território ucraniano, poderão ser conhecidas dentro de "algumas semanas".
Questionado sobre uma eventual visita à Ucrânia, o presidente dos Estados Unidos não descartou essa possibilidade, declarando que "propôs falar perante o parlamento" ucraniano.




